History Horror The Lend Urban

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30/07/2017

O Condenado Do Condendo (Conto De Terror romântico)

O Condenado do Condendo 


Don Álvaro Guzmán era conhecido em Potosí pela sua crueldade, como o tinham sido antes dele o seu pai e o seu avô. Não que a crueldade fosse uma qualidade rara nos senhores da terra. Mas a crueldade dos Guzmán era, ainda assim, de natureza e dimensões que a faziam sobressair entre a costumeira desumanidade dos fidalgos da região, espanhóis ou criollos de nascimento. A Don Álvaro, por exemplo, viram-no uma vez decepar de um golpe de espada a mão de um criado que ele acusava, sem provas, de lhe ter roubado uma moeda de prata; viram-no, de outra vez, mandar açoitar, até ele desfalecer de dor e perda de sangue, um outro criado que demorou dois minutos a trazer-lhe o jarro de vinho que ele lhe tinha pedido; e viram-no fazer violar pelos seus dois enormes mastins a jovem mucama que ousou defender-se com bofetadas e arranhões quando ele quis abusar dela.
Dona Ignacia, a mulher de Don Álvaro Guzmán, era um anjo, na desajeitada bondade com que tentava compensar as vítimas da malvadez do seu marido, às escondidas dele; e seria também um anjo na aparência, se os maus-tratos de Don Álvaro lhe não tivessem roubado prematuramente a beleza delicada que tivera.
Don Álvaro Guzmán era possante como um touro e nunca ninguém lhe tinha conhecido doença, gripe ou mal de altura que fosse, de modo que, quando ele morreu de repente, foi grande a surpresa – e o alívio. Dona Ignacia não verteu uma única lágrima à morte do marido e nem familiares nem amigos, que lhe conheciam a triste condição, lho levaram a mal. Há quem diga que a viu assistir, da varanda do seu quarto, no escuro e em silêncio, à cena a que se resume este conto e que se deu oito ou nove horas depois do funeral de Don Álvaro; outros sustentam que, pela primeira vez em muitos anos, dormia um sono tão calmo e profundo que o tumulto de que se encheu a fazenda nessa noite não a conseguiu acordar.
O caixão de Don Álvaro tinha sido colocado no jazigo familiar, ao lado da capela da hacienda. Sempre ali tinham sido sepultados os Guzmán, para contento de todos: eles não queriam, por uma soberba que, a par da malvadez, lhes corria na linhagem, partilhar com mais ninguém a sua última morada; e aos restantes potosinos agradava-lhes não terem a conspurcar a terra sagrada do cemitério a carne abominável daquela família de demónios. Devia ser por volta da meia-noite. José, um dos capatazes da fazenda, que voltava a casa depois de ter despejado com uns amigos duas garrafas de singani num botequim das redondezas, ouviu barulhos estranhos vindos de dentro do mausoléu. Primeiro, maldisse a aguardente por lhe pregar partidas daquelas, e logo a ele a quem nunca tinham assustado nem demónios nem fantasmagorias de tipo nenhum. Mas, depois, decidiu confirmar se era mesmo de uma fantasia de bêbedo que se tratava. Aproximou-se da porta do sepulcro. Não havia dúvida, o barulho era real. Ouviu claramente a madeira a ser golpeada e urros abafados, que não duvidou que fossem humanos e que tanto podiam ser de raiva como de desespero.
José correu a acordar os outros trabalhadores da propriedade, um por um. Passava-se algo pouco católico, explicava-lhes ele, no jazigo dos Guzmán. Os peões começaram a sair das suas cabanas, alguns acompanhados das mulheres. Vinham quase todos armados de facas ou varapaus. Alguns traziam tochas na mão, mas depressa se deram conta de que era escusada qualquer iluminação artificial, porque a noite de lua cheia estava tão clara que se podia ler a letra miúda de um missal à luz apenas do luar. À porta do túmulo, os homens e as mulheres confirmaram, ansiosos, a verdade do relato de José. Ouviram o ruído de madeira a estilhaçar-se, seguido de um grito aflitivo de dor. A explicação do assombroso acontecimento começou a circular entre eles primeiro em sussurros amedrontados que se repetiam a espaços e depois num murmúrio constante, de que sobressaíram, a certa altura, as exclamações vigorosos de uma mulher: “Um condenado! Um condenado!”
Todos sabiam o que queriam dizer as palavras de Doña Hortencia: Don Álvaro Guzmán, o malvado, o pecador impenitente, não tinha sido autorizado a gozar do descanso eterno e nem sequer da correcção das suas faltas pelos tormentos do Inferno. Como outros criminosos sanguinários antes dele, tinha sido sentenciado a voltar à Terra e a vaguear para sempre na condição etérea que constituiria, para ele, o mais terrível castigo – era um condenado, uma alma deambulando em pena no mundo impuro da matéria. 
A porta do mausoléu abriu-se e todos se contraíram num espasmo de pavor. Não se ouviu nem um ai. Quando a fantástica figura do condenado surgiu no limiar do sepulcro, porém, nem os mais valentes deixaram de recuar alguns passos atabalhoados entre exclamações de terror. A aparição excedia o que de medonho pudesse conceber a mais doentia imaginação. Se era de Don Álvaro o fantasma, não tinha muitas parecenças com o Don Álvaro que tinham conhecido em vida: a aventesma tinha a cabeça e a cara feitas numa chaga pegada, bocados de cabelo arrancados, as roupas em farrapos e completamente ensanguentadas; e as mãos, que trazia levantadas em frente ao rosto num gesto de ameaça, viam-se-lhe descarnadas em toda a extensão das falanges, pingando grossas bagas de sangue.
“Não é uma alma penada”, gritou alguém, “é um demónio da corte de Satanás!”
“Demónio ou fantasma, que importa?”, respondeu Doña Hortencia com firmeza, “Ides venerá-lo? Ou fugir dele? Dai-lhe antes a provar golpes de pau e cutelo, a ver o que diz o estafermo do outro mundo à digna recepção que o espera neste!”
O grupo de peones deixou convencer-se pela fúria decidida da mulher. Ao princípio, com alguma hesitação e depois cada vez mais afoitos, avançaram para o condenado e cercaram-no. Quando as primeiras pancadas o atingiram, o fantasma contorceu-se sem gritar. Quando alguém mais atrevido se aproximou dele o suficiente para lhe abrir o braço com uma facada, o monstro soltou um gemido arrastado e gutural que não era humano com certeza, titubeou e caiu ao chão, para se levantar outra vez logo de seguida.
Ouviu-se de repente um grito de José, a quem a cena de horror tinha desembriagado de todo:
“Deixai o homem, por amor de Deus! Será que sois tão cegos que não vedes que é Don Álvaro a miserável criatura?”
“Don Álvaro? Que Don Álvaro, este maldito avejão!?”, gritou-lhe Doña Hortencia, num esgar de raiva. “Este ser não é deste mundo e nem de mundo nenhum, que o Diabo não o quis receber na sua maldita morada e mandou-o de volta à Terra para nos continuar a atormentar!”
José entendeu então finalmente o que todos os outros tinham já há muito entendido: que a descrição que Hortência acabava de fazer se podia aplicar tanto a uma alma penada com a uma criatura de carne e osso, bem viva ainda mas que em breve deixaria de o ser. Só não compreendia por que demoníaco prodígio o tirano tinha conseguido adiar o julgamento divino. Mas nem isso o tinha conseguido salvar de ser condenado pelos seus juízes humanos.

29/07/2017

Lendas De Terror Baseadas Em Fatos Reais O Carazi

A Lenda Do Carazi 


Caso esteja lendo a noite e deseja dormir tranquilamente, feche essa página e vá fazer outra coisa,mas volte a manhã se estiver curioso.
obs: quando li essa história pela primeira vez não consegui dormir a noite. 

O Carazi tem a aparecia de um menino de seis anos, ele não tem boca, os olhos dele são totalmente negros e brilhosos e dizem que ao invés de dedos ele possui garras. O Carazi entra na casa das pessoas á noite, e se esconde nos armários, debaixo de mesas, atrás do sofá, ele só não entra nos quartos. Quando ele entra na casa das pessoas ele fica quieto observando, e quando alguém sai do quarto á noite para ir beber água, por exemplo, ele observa a pessoa e entende isso como um convite para entrar no quarto dela. Depois disso, a pessoa tem pesadelos, não conseguem dormir direito, começam a escutar barulhos estranhos, tem a sensação de que tem alguém ás observando e algumas dizem que vira ele.


Quando li sobre ele, pensei que fosse uma bobagem, só mais uma historinha de terror. Depois de uns dois, eu estava dormindo tranquilamente, nem mesmo me lembrava dessa historia, só que teve um dia que eu acordei á noite com muita sede, me levantei normalmente e fui até a cozinha, passando por um corredor escuro, voltei para meu quarto, só que nessa noite eu tive um pesadelo. Acordei no outro dia, eu nem levei á serio, era só um pesadelo idiota, não é?

Mas não foi só um pesadelo, foram vários, durante uma semana inteira. Os pesadelos que eu tinha eram tão horríveis que eu comecei a ficar com medo de dormir, e com isso comecei a perder o sono, demorava horas para dormir. Depois de algumas semanas, eu escutei uns barulhos estranhos no meu quarto, e quando estava muito silencioso, eu chegava a escutar alguém respirar, mas não tinha ninguém no meu quarto, não alguém visível.

Isso só piorou, eu fiquei paranóica, comecei a sentir que tinha alguém que me observava dormir, minha mãe achou que eu estava louca. Eu já estava desesperada, revirei meu quarto inteiro e não achei nada, resolvi pesquisar algumas na internet que pudessem explicar o que estava havendo comigo, e então me lembrei daquela historia idiota do Carazi, mas depois que li de novo, não me parecia tão idiota assim, parecia muito real, e aquilo estava acontecendo comigo, que sempre ridicularizei essas historias.


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Quando admiti para mim mesma, que quem estava me assustando de noite era o Carazi, ficou mais fácil lidar com isso, procurei na internet um método para expulsá-lo de meu quarto, mas não tinha nada. Á única coisa a fazer era ignorá-lo, e foi o que eu fiz, e faço até hoje. Quem sabe um dia ele não vai embora, quem sabe um dia ele não para de me fazer perder o sono e ficar enrolada na coberta acordada escutando barulhos estranhos e esperando ansiosamente o dia amanhecer.



23/07/2017

Relatos de terror baseados em fatos reais

Relatos de uma pessoa anônima

O Dia do Sacríficio





Antes, que eu levasse um tiro 3 dias atrás eu estava no meu altar de rituais, e uma voz meio estranha falou aos meus ouvidos que eu irir experimentar o início de uma morte ,e que eu tinha que escolher o meu ganho (uma forma de recompensa) e me propós o seguinte morrer por alguém ou viver para alguém morrer no meu lugar. Pensei muito depois que sai do altar, percebi que era um tipo de teste só não sabia como isso iria acontecer. No sábado no dia do tiro eu salvei uma mulher, e passei por um caso que me deixou muito entrigado, o tiro foi na perna esquerda, onde passa as veias que são ligadas ao coração, além de ser uma região femural, se a bala tivesse atingido o osso quebraria, e nem sei o que podia acontecer, mais por incrível que pareça a bala passou entre as veias e o osso sem atingir nada, de início estranhei até mesmo o médico que me examinou achou muito estranho e me falou mesmo assim (Realmente não chegou a sua hora jovem, te mandaram de volta.) Lógicamente tinha entendido o que o espírito tinha me contado 3 dias atrás, e vi que realmente se tratava de um teste, o outro lado queria ver se realmente eu era capaz de me sacrificar por alguém.

12/07/2017

Um Monstro No Quarto Contos De Terror

Contos De Terror Um Demônio no Quarto




Aquela noite de 31 de outubro estava demasiamente grande, sendo que parte da culpa era das torrenciais chuvas de mais cedo, que acabaram por elevar os níveis dos rios da região. Bernardo se encontrava já deitado em sua cama, na pequena casa que residia com seu pai, Lauro, desde o falecimento de sua mãe. Era pouco mais de nove horas e ambos já se estavam dormindo, já que iriam acordar cedo para viajarem de madrugada, para aproveitarem o máximo possível o feriado prolongado.
Bernardo tinha pouco mais de sete anos e era um garoto bastante agitado. Tinha severas dificuldades de dormir e não eram poucas as vezes que assustavam seus pais madrugada afora com suas andanças sonâmbulas pela casa. Da mesma forma, era facilmente acordado, por qualquer barulho. E, como o interruptor do quarto era próximo da casa – estratégia do pai ao edificar a casa, pois sabia da dificuldade de dormir do filho, o que lhe impediria de levantar toda hora para acender a luz -, não eram raras as ocasiões que a luz do quarto ficava apagando e acendendo durante a madrugada.
Naquela noite, Bernardo se encontrava irrequieto, girando de um lado para o outro na cama. Sentia-se uma carne fritando na frigideira quente, devido ao calor da noite. Girava e girava, de um lado para o outro da cama, em intervalos regulares. Repentinamente, completamente tomado pela irritabilidade, levantou-se, em um só pulo, sentando-se ofegante na cama. Apertou o interruptor e ligou a luz. E, naquele instante, viu aquilo que mudaria sua noite... e sua vida.
Havia um rapaz de pele negra, careca, sem camisa e portando cachimbo na boca e gorro vermelho na cabeça com a cabeça apoiada sobre os braços cruzados no sopé da cama, olhando fixamente para Bernardo. Ao perceber que o garoto lhe viu, o rapaz ri e entra debaixo da cama.
Bernardo ficou completamente imóvel desde o instante em que fitou o rapaz. Assim que este foi embora, reuniu coragem suficiente para agir, embora seus músculos quisessem ficar parados. Gritou, o mais alto que pôde, um escandaloso "Paaaai!", que ecoou pelos quatro cantos da casa. Seu pai chegou em um pulo, esbaforidos, com o corpo todo tremido devido ao susto.
- O que foi, Bernardo? O que aconteceu? – perguntou o pai
- Tem um monstro debaixo da cama. Tem um monstro debaixo da cama. Eu vi. Eu vi. – gritou o filho, com muito medo. Levantou-se da cama e correu para os braços do pai, que lhe abraçou.
- Não tem monstro nenhum no seu quarto, Bernardo. – disse o pai, tentando se recuperar do susto. Olhou rapidamente o quarto, à procura de algo diferente.
- Eu vi. Eu tenho certeza. Estava parado na cama me olhando, quando eu liguei a luz. Depois, ele entrou para debaixo da cama. – disse o garoto, enquanto lacrimava generosamente.
O pai para ao lado da cama, ajoelha-se e abaixa o corpo, a fim de olhar o que estava debaixo do móvel. Não havia nada. Levantou-se.
- Não tem nada aqui. O que quer que seja o que você viu, foi embora. – disse o pai. Olhou novamente o quarto. Foi em direção ao guardarroupa, que ocupava a outra parede do cômodo. – E como era esse "monstro"?
- E...Ele era negro e usava um gorro vermelho na cabeça.
Aquilo chamou a atenção do pai.
- Você andou lendo a respeito do Saci antes de ir dormir, não foi? – perguntou, virando-se para o filho
- Não, pai.
- Mas você viu o alvoroço que está a internet sobre a suposta aparição do Saci aqui na cidade, não viu?
- Vi.
- Então é isso. – disse o pai, abaixando-se ao lado do filho. Puxou-o para si, olhando-o nos olhos. – Você viu na internet e ficou impressionado. Não tem como ninguém entrar aqui em casa sem nos ver. Espera aí que vou te trazer um copo de água para você se acalmar. – disse. Bernardo meneia a cabeça. O pai levantou-se e saiu alguns segundos do quarto, retornando em seguida com um copo cheio em mãos.
- Toma. – disse – Beba.
O filho pegou o copo de água e o virou, bebendo todo o seu conteúdo em poucos segundos. Enquanto isso, o pai atravessou o quarto e foi em direção à janela aberta ao lado da cabeceira da cama.
- E deixa eu fechar essa janela porque vai acabar entrando um bicho. – disse, antes de fechar. Em seguida, retorna para seu filho.
- Saci não existe, meu filho. Essa é uma lenda que nossos avôs contavam para os filhos ficarem dentro de casa no Dia das Bruxas, para não saírem pedindo bala nas outras casas e incomodassem os vizinhos. Não tem nada de real nisso. Agora, vai dormir que iremos acordar cedo.
- Está bem, papai. – disse um Bernardo mais calmo.
O pai fica ao lado da cama enquanto Bernardo se arrumava para voltar a dormir. O garoto deitou e se enrolou na coberta.
- Seu quarto está quente. Vou ligar o ventilador para refrescar.
O ventilador, localizado no teto, pouco a pouco, começar a se ventilar.
- Cubra direito, para não se resfriar. Boa noite. – disse o pai, enquanto arrumava a coberta do filho e antes de lhe dar um beijo de boa noite na testa. Passou pela porta e, antes de sair, apertou um interruptor, que fez o ventilador, localizado no teto, começar a girar. Em seguida, disse, antes de apagar a luz e fechar a porta.
- Boa noite, campeão.
- Boa noite, pai.
Bernardo estava mais calmo – fruto da água com açúcar dada por seu pai -, além de estar com bem menos calor. Não se agitava mais na cama e estava prestes a adormecer. Todavia, quando já estava pegando no sono, escutou um pequeno e rápido bater de uma porta do guardarroupa.
No mesmo instante, abriu os olhos. Esperou alguns segundos para analisar se o som iria se repetir. Não se repetiu. Fechou novamente os olhos. Entretanto, seu coração começou a voltar a acelerar dentro do peito. Já não estava tão calmo quanto antes e começava a ficar inquieto.
Pouco a pouco, contudo, o rapaz foi voltando ao normal. Começava a quietar-se. Estava voltando à paz de antes quando, de repente, ouviu uma pequena risada dentro do quarto, próximo a seu rosto. Abriu os olhos de sobressalto e girou o corpo rapidamente para apertar o interruptor ao seu lado. Em poucos segundos, a luz do cômodo iluminou o ambiente. Entretanto, nada havia à sua frente, nem no quarto. Saltou da cama e caiu no chão, ajoelhando-se em seguida e abaixando o corpo para fitar o que havia debaixo de sua cama. Nada havia. Correu em direção ao guardarroupa e abriu porta por porta. Igualmente nada havia.
- O que será que foi isso? Será que foi o tal do Saci? – se perguntou. Queria saber mais, queria entender o que estava acontecendo, mas seu corpo era demasiadamente cansado e não conseguia forças para nada. Queria apenas deitar e dormir. Pensou que tudo aquilo era fruto de sua imaginação, devido ao medo que estava sentindo. Esqueceu tudo e foi-se deitar, na tentativa de adormecer.
Dessa vez, foi um pouco mais difícil para Bernardo adormeceu. Já começava a ficar sismado com os barulhos e acabava por não conseguir relaxar. Começou a rolar na cama como antes, virando de um lado para outro em intervalos regulares.
Vinte minutos haviam se passado e Bernardo continuava irrequieto sobre a cama. Apesar do ventilador ligado, estava suando. Repentinamente, eis que escuta barulhos de panela caindo no chão, vindos da cozinha, do outro lado do corredor. Levantou-se assustado e ligou a luz correndo, sentando na cama. Em seguida, saiu da cama e correu em direção à porta. Abriu-a e colocou a cabeça para fora do quarto.
- Bernardo! – gritou seu pai. O grito veio à direita, em uma porta à esquerda, dentre as três que ocupavam o final do corredor. – Vai dormir. Larga as panelas!
- Mas pai... não fui eu...
- Bernardo. Sossega, que amanhã a gente vai acordar cedo. Volta pra cama. Anda...
- Mas... pai...
- Bernardo. Não me fala levantar.
- Tá bom, pai...
Bernardo fechou a porta e voltou para o interior do quarto, cabisbaixo. Voltou para a cama e tentou dormir. Queria dormir. Mas não conseguia. Estava intrigado com todos aqueles barulhos. Poderiam estes serem até irreais, mas a visão do rapaz não era e Bernardo tinha certeza disso. Levantou-se, evitando fazer barulho e caminhou no completo escuro em direção à cômoda, que se encontrava ao lado da porta. Foi-se guiando pelas mãos, que balançavam à sua frente. Encontrou-se com a cômoda e esticou os braços a fim de pegar o seu celular, que estava do lado esquerdo da televisão.
Naquele instante, sentiu uma pesada mão pousando sobre a sua. Em seguida, ouviu novamente a risada, logo atrás de sua nuca, ao lado do ouvido direito. Estava tão perto que Bernardo pôde sentir a sua respiração acertando seu pescoço.
O garoto sentiu um frio subir por sobre sua espinha, que paralisou-lhe de medo e congelou-lhe o corpo. A mão pousada sobre a sua não saía de lá e começou a se fechar, apertando seus minúsculos dedos. Bernardo começou a sentir dor, onde começou a se mexer na tentativa de se desvencilhar do agressor. Não conseguiu êxito e o aperto e a dor só foram piorando.
Desesperado, Bernardo joga o corpo para trás com toda força, acertando em algo, que cai no chão e solta sua mão. Correu em direção ao interruptor e acendeu a luz. Desesperou-se. O rapaz estava parado à sua frente.
Naquele instante, Bernardo visualizou por completo o rapaz. Estava com o gorro vermelho na cabeça e sem camisa. Usava apenas uma bermuda avermelhada, um cachimbo na boca e não tinha a perna direita. Bernardo sobressaltou-se a tal ponto que arregalou os olhos.
O monstro, ao fitar Bernardo, riu. O garoto, sem perder tempo, saiu correndo para fora do quarto. "Papai, papai, papai", gritava, enquanto corria. Correu tropeçando pela casa, desembocando primeiramente em um corredor. Virou-se para a direita e continuou sua corrida, sem olhar para trás. Neste instante, sentiu um forte vento vindo de detrás de si lhe passar, durante alguns segundos. Não entendeu o motivo de haver vento, haja vista que a casa inteira se encontrava fechada, mas não iria se preocupar com aquilo naquele instante.
Continuou sua corrida, virando para a esquerda, frontalmente a uma porta e a abriu. Adentrou no cômodo e apertou, o mais rápido que pôde, o interruptor, inundando o quarto com a luz.
Era um espaçoso quarto, com uma cama de casal no centro, um rack com uma televisão de 42´ à sua frente, um guardarroupa à esquerda e uma mesa com computador à direita, à frente da porta. Bernardo estarreceu-se e novamente congelou. O monstro estava à sua frente, sobre a cama, com um maléfico sorriso no rosto, ao lado de seu pai.
- O que...?! – perguntou, estupefato
O rapaz ri, sendo que seu maléfico riso ecoa por todos os cantos do quarto. Este mostra que está portando na mão direita uma faca e a ergue no ar, segurando-a com as duas mãos.
- Não! – gritou Bernardo. Este grito acabou por acordar seu pai, ainda meio sonolento.
- O que...?! – murmurou o pai.
- Sai daí, pai. – gritou Bernardo, sem tirar o foco do monstro
- O que...?! – perguntou Lauro. Olhou para a porta e fitou seu filho parado no local, olhando fixamente para algo atrás dele. Acordou por completo, perdendo a consciência. Virou o corpo para trás. Visualizou o monstro parado, em pé, atrás de si, com uma faca apontada em sua direção. – Que...?!
Entretanto, não teve tempo. O monstro desceu a faca em sua direção com toda força e velocidade, cravando-a em seu pescoço. Bernardo soltou um grito seco e paralisou-se no mesmo instante. Seu pai ainda tentou exprimir alguma reação, mas logo sua vida se esvaiu de seu corpo, devido a inúmeras facadas que tomou.
O monstro se sujou de sangue, enquanto fez uma poça sobre os lençóis. Olhou para Bernardo, retirando-o de sua paralisação. Soltou um pequeno riso diabólico e apontou a faca em direção ao garoto. Em seguida, saltou, caindo no chão no pé da cama.
Essa foi a gota d´água para Bernardo, que postou-se a correr para fora do quarto. Adentrou no interior do corredor e acelerou os passos em direção ao outro lado. Sentiu novamente um vento passar por si, mas novamente não deu importante. Chegou do outro lado do corredor o mais rápido que pôde, entrando no interior de uma cozinha, após ultrapassar várias portas laterais.
Virou-se para a esquerda, a fim de passar no espaço compreendido entre o balcão e a parede e adentrar na copa, adjacente à cozinha. Naquele instante, sobressaltou-se novamente. Fitou o monstro parado na porta de madeira do outro lado da copa, com seu inconfundível sorriso diabólico nos lábios.
De inopino, Bernardo olhou para trás. Nada viu além do corredor inundado na escuridão. Pensou em voltar e tentar sair para outro lado, mas sabia que o monstro apareceria por lá. Não sabia como, mas o monstro tinha feitiço para se teletransportar, ou algo assim.
Lembrou-se das horrendas histórias do Saci que o pai de seu avô contava, já nonagenário. Conta o sábio idoso que, em tempos antigos, um monstro de pele negra, usando somente bermuda e gorro vermelho, um cachimbo e faltando-lhe uma perna atormentava os moradores da pequena e histórica Larital e que o mesmo invadia casas no dia 31 de outubro com portas e janelas esquecidas ou deixadas abertas para roubar meninos, como ato de vingança por ter sido dedurado por um menino quando ainda era escravo e fugia das mãos de seu dono, tendo sido recapturado e apanhado até a morte.
Todavia, nunca imaginou que aquela pesada história que seu bisavô lhe contava até dois anos atrás – quando o mesmo falecera – fosse verdade. Sua mãe mesmo, quando também ainda era viva, lhe proibira de ouvir tais histórias, já que somente piorava o seu estado de insônia e a mesma também, ao que tudo indicava, não acreditava na veracidade dos contos narrados pelo idoso.
Porém, naquele instante, com seu pai falecido a golpes de faca e o monstro lhe impedindo de sair, Bernardo sabia que a história era real. E precisava agir para não ter o mesmo destino que seu pai. Lembrou-se de que se encontrava na cozinha. Saiu correndo em disparada para o interior da cozinha, contornando a mesa central o mais rápido que pôde e chegando nas gavetas da pia, no canto oposto à porta.
No exato momento em que Bernardo voltou a se mexer, o monstro lhe copiou. Saltitou rapidamente em direção à cozinha, ainda com o sorriso no rosto e a arma em punhos. O garoto abriu todas as vezes da pia o mais rápido que conseguiu até achar uma enorme faca guardada ao fundo, escondida sobre outros utensílios – uma tentativa frustrada de seu pai de lhe proteger de possíveis acidentes, mas que acabou por salvar sua vida naquele instante.
Bernardo pegou a arma e a ficou em punhos, segurando à sua frente com os dois braços. Tremia inconsumeravelmente, principalmente porque avistou o monstro ao lado do balcão. Engoliu em seco. O monstro parou e sorriu. Em seguida, jogou a faca no chão. Bernardo surpreendeu-se e estranhou a atitude do inimigo. Baixou a guarda durante alguns segundos, mas logo voltou ao normal.
O monstro sorriu novamente e retirou o capuz. Bernardo ficou na defensiva. Em seguida, enfiou a mão lá dentro e jogou um pó brilhoso no ar. O garoto estranhou e tentou se proteger. Todavia, acabou por aspirar o ar, que rapidamente lhe retirou toda a consciência, caindo em um só baque no interior da cozinha e deixando a faca cair próxima de si.
O Saci caminhou em direção ao garoto e fitou durante alguns segundos. Sorriu. Em seguida, puxou-o pelo colarinho e saiu andando pelo interior da casa, em direção à porta da copa, assobiando.

14/06/2017

Brincando com os mortos Contos de terror

Brincando com os mortos




Em uma noite iluminada por uma lua minguante num céu sem estrelas, quatro jovens resolvem fazer o famoso "jogo do copo". 

Reúnem-se na casa do mais velho, o líder da turma. Depois de uma oração em tom de brincadeira, começa a sessão de perguntas para o pseudo-espírito na mesa. 

- Qual o seu nome? Pergunta uma das meninas da turma. 

O copo se move para as letras formando a palavra P-A-L-H-A-Ç-O. Todos ficam assustados com o movimento, mas acham estranho que tenha se formado essa combinação. Exceto o líder da turma, que solta uma gargalhada quando a palavra é formada. 

- O que você quer? Pergunta o segundo jovem: 

P - U - M. É a palavra que aparece no tabuleiro. O jovem líder cai na gargalhada, solta o copo e sai de perto do tabuleiro: 

- Essa brincadeira é cretina, estúpida. Fui eu quem fez o copo se mexer. Viram como isso não funciona? 

- Cuidado. Não fique brincando com essas coisas. Você pode ser castigado - Retruca a pequena jovem. 

Todos vão embora da casa do rapaz, indignados coma brincadeira sem graça do amigo. Como já era tarde, ele se prepara para dormir. Entra em seu quarto, deita em sua cama e começa uma oração. No meio de sua prece, ele sente uma dor muito forte no peito. Seu pijama azul tem uma mancha escura e que vai aumentando. O jovem coloca a mão na boca para conter um grito, mas percebe que sua boca também está sangrando. Seu nariz pinga mais sangue ainda, marcando o chão com poças avermelhadas. 

Desesperado, ele vai ao quarto de seus pais e os encontram enforcados, pendurados no lustre sobre a cama, movimentando seus braços em busca do corpo do rapaz. Os gritos e palavras mórbidas ecoam por toda a casa: 

- Maldito. Porquê você fez isso? 

O jovem corre para fora de casa e bate na porta da casa de seus amigos. Ninguém atende. Seus gritos misturados com suas lágrimas pintam seu rosto de vermelho. 

Cansado de gritar, ele fica em silêncio, mas ouve algumas gargalhadas. Tentando descobrir de onde vem as vozes, ele corre em direção ao som, e percebe que saem da garagem de sua própria casa. 

Ao abrir a porta, ele se depara com uma cena macabra: Seus três amigos, sentados no chão, fazendo o jogo do copo. As gargalhadas eram assustadores, como crianças que se divertem com um brinquedo novo. Chegando mais perto, o jovem percebe que o copo se movia sozinho, sem nenhum dedo no tabuleiro. O copo fazia movimentos repetitivos para as palavras P-A-L-H-A-Ç-O. Movimentos cada vez mais rápidos formavam a palavra P-A-L-H-A-Ç-O, P-A-L-H-A-Ç-O, P-A-L-H-A-Ç-O, até que o copo explode. 

Assustado, suado e com muito medo, o jovem acorda. Sim, foi um sonho. Ele olha a sua volta e não há sangue. O silêncio reina pela casa. Mais calmo, ele vai até o banheiro, onde tem uma surpresa ao se olhar no espelho: Seus olhos e sua boca, vermelhos de sangue, formam uma pintura de palhaço. Mesmo jogando água em sua face, a mancha não sai. Em um ato de desespero, o rapaz corre para o quarto dos pais. Quando ele abre a porta, encontra seu pai de pé, em frente à porta com uma arma na mão. Antes que ele pudesse pronunciar qualquer palavra, um único som toma conta de toda a casa: P-U-M. 

No dia seguinte, todos os seus amigos vão ao velório de seu colega: O jovem palhaço que morreu com um tiro na cabeça.

Desabafo de uma alma perturbada Lenda de terror

Desabafo de uma alma perturbada




Definitivamente não acredito em espiritos. Acredito em fantasmas. Pode parecer estranho, mas deixe-me contar minha história para que possa me entender... antes que eles cheguem. 

Amanheceu um dia lindo de sol. Abri a janela, respirei fundo e... ouvi dois tiros. Me abaixei rapidamente. Fiquei trêmulo. Permaneci imóvel por uns cinco minutos, de olhos fechados e tapando os ouvidos. Quando abri os olhos, ele estava lá. Olhando para mim com seu rosto pálido e assustador. 

Tudo começou nesse dia. Minha mãe voltou correndo para casa para ver se eu estava bem. Disse que um homem tentou assaltar uma moça. O bandido acabou assassinando a jovem e seu filho de dez anos. 

Todos os dias ele está ao meu lado. Seu nome era Robson e, como eu já disse, tinha dez anos. Nunca mais dormi uma noite completa de sono depois daqueles dois tiros. Robson fica todas as noites de pé, ao lado da minha cama, me olhando. Ele não fala nada, mas faz muito barulho. Ele bate as portas do guarda roupa, acende as luzes do quarto e espalha minhas roupas. 

Já falei com minha mãe sobre ele, mas ela acha que estou inventando desculpas para minha bagunça. 

Meu tormento tornou-se maior quando Robson começou a tentar se comunicar comigo. Um dia ele rasgou uma foto dos meus pais ao meio, separando-os. Chorei de raiva e de desespero, mas ele não entendia. Seus olhos ficaram vermelhos de ódio e de sua boca saia um líquido espumoso, que manchava o carpete de casa. Ele avançou contra meu pescoço, mas minha mãe chegou a tempo e ele desapareceu antes que ela o visse. Em outra ocasião, ele pegou a metade da foto com minha mãe e tentou colocar fogo. Por muito pouco não causa um incêndio em meu quarto. 

Certa noite, acordei com um som metálico batendo nos móveis. Quando pude perceber, Robson estava de pé, ao lado da minha cama, apontando uma arma para minha cabeça. Não tive tempo de pensar. Ele apertou o gatilho sete vezes e desapareceu. A pistola caiu no chão. Por sorte, não havia munição na arma. 

Resolvi mostrar para meus pais a arma e tentar contar o que aconteceu. Durante o café da manhã, mostrei a arma para eles. Minha mãe ficou apavorada. Deixou cair a xícara de café que tomava. Meu pai, um pouco mais calmo, me perguntou onde peguei a arma. Eu apenas disse: 

- Uma criança, chamada Robson me deu. 

Dessa vez foi meu pai quem ficou nervoso. Suas mãos tremiam sobre as migalhas de pão. Ele me pediu a arma, deixou-a sobre a mesa e disse já com lágrimas nos olhos: 

- Preciso contar uma coisa a vocês. Essa criança, o Robson, que te acompanha, é seu irmão. Ele era filho daquela moça que morreu há alguns meses atrás. Eu traí sua mãe, meu filho, e voltei a traí-la há algum tempo atrás, até que o destino acabou com a traição da pior forma possível. Não consigo mais esconder isso. Essa criança me perturba todas as noites. Não posso mais conviver com isso. Peço perdão, minha querid... 

Antes de terminar a frase, minha mãe já havia enviado a faca de pão pelo pescoço do meu pai. 

- Pensa que não sei, seu desgraçado? Fui eu quem pegou a arma e matou aquela vagabunda e o pivete que você teve com ela! Não agüentava mais isso! Eu precisava por um fim nisso! E hoje eu o farei! 

Minha mãe passou a faca nos olhos do papai. Ele tentava gritar, mas o sangue que escorria de sua garganta o impedia de fazer qualquer movimento. Ela mordia suas orelhas, arrancando pedaço por pedaço da carne de seu rosto. Não eram mais meus pais. Eram dois demônios encarnados em pessoas. Corri para meu quarto e me tranquei. Lá, encontrei Robson segurando três cartuchos de munição para a arma. Não tive dúvida: Corri para a cozinha, peguei a arma, carreguei-a e atirei nas costas da minha mãe. 

A polícia chegou ao local e não teve dúvidas: Matei meus pais. Hoje vivo trancado aqui no hospital psiquiátrico de Natal. Longe de tudo, da família que me resta, dos amigos e da sanidade mental que eu tinha antes. 

Tenho que encerrar essa história por aqui. Meu pai está aqui do meu lado e me pede para que eu seja breve, pois eles já sabem onde eu estou. Robson e minha mãe estão ai com você, parados do seu lado direito lendo minhas palavras. 

Adeus

Relatos de Sahmara Contos de Terror

Relatos de Sahmara 


Era um dia como qualquer outro, Eu não conseguia dormir. Como havia prova no dia seguinte com a cabeça cheia de matérias pendentes, decidi estudar, já era tarde, quando olhei no meu celular era 00:00 (Meia Noite) escutei alguns barulhos estranhos, era chiados vindo da Televisão, Como estava todos dormindo, desliguei a Tv da tomada, dei as costas por 3 segundos ela retornou a ligar sozinha, tentei desligar no botão mas não consegui do nada a tela da Tv parecia um espelho que refletiu a minha imagem até que na quarta vez fui tentar desligar no controle, mas continuava a mesma coisa. Até que comecei a falar ''Blood Mary'' eu sempre soube que era uma brincadeira tola mas chamei ''Blood Mary'' 3 vezes ainda na frente da Tv chamei 11 vezes a ''Maria Sangrenta'', bati palmas 3 vezes e nada aconteceu bati palmas 11 vezes  e a Tv desligou do nada. quando olhei no meu celular indicava 3h da manhã como eu tinha que me acordar cedo, voltei a cama e peguei no sono. quando o meu celular despertou as 5h da manhã escutei uma voz feminina dizendo ''Quem me chamou ?'' olhei assustada e não havia ninguém.

Autora deste Relato: Sahmara

06/06/2017

Contos De Terror Relatos De Sahmara

Relato Sobrenatural de Sahmara 




Quando eu tinha 6 anos de idade. Eu tinha um Colega que era do mesmo Colégio, da mesma sala, Eu nunca notei que ele olhava pra mim e queria ao menos Brincar e conversar. Naquele mesmo dia ,ao sair do colégio ,houve tiroteios ao lado da sala abandonada, que fica perto do mesmo colégio que eu frequento. Ele levou um tiro no crânio na parte esquerda da cabeça. No dia seguinte soube que ele não conseguiu resistir e faleceu. Todos do colégio foram ao funeral. Menos eu. A minha mãe sempre me mimava bastante e sempre foi uma mãe protetora, Pois a minha mãe não achava cemitério apropriado para crianças. Após a morte do meu colega de todo modo continuei indo a escola a frenquentar as aulas como se nada tivesse acontecido, sinceramente, eu não sentia falta do meu colega, por sinal eu era a única que podia vê-lo e brincar com ele. Aos 7 anos, fui mexer nas coisas da minha mãe e acabei achando um cartãozinho com a imagem do meu colega com a camisa de seu time favorito. Quando a minha mãe chegou em casa perguntei a ela o que era funeral ? Ela ficou assustada e espantada por eu ser uma criança de 7 anos e perguntando sobre o que era um funeral. Ela me explicou que o meu colega estava brincando nas nuvens com o papai do céu. Ela mal sabia que eu podia vê-lo. Aos 8 anos fui convidada para ir a uma festa da filha da vizinha que ia completar os seus 15 anos, Por causa da ansiedade acordei cedo de 3h da manhã, como não tinha ninguém acordado, decidi ir na cozinha tomar um pouco de água, Quando cheguei na cozinha, acendi a luz e vi um formato de sombra estranho, que não era minha sombra, era uma sombra de um criança, um demônio em forma de criança de mais ou menos uns 7 anos. Sentei no chão e comecei a admirar aquela estranha forma que parecia uma pessoa. depois essa sombra correu para o quintal e desapareceu. Aos 12 anos reprovei pela primeira vez no colégio e mudei de escola. Na nova escola havia um garoto totalmente parecido com o meu colega que tinha falecido aos 7 anos, sua aparência e Hobbis todos iguais, mas o garoto nunca gostou de mim e se identificava como {Ninguém}, no fim do ano fiquei curiosa  pra saber o por que ele me odiava tanto e ele contou que quando veio me visitar após a sua morte, não brinquei e nem falei com ele quando ele era apenas um garotinho, apenas admirei as suas marcas de tiro na cabeça e algumas sequelas no corpo que ele me mostrou e ele me falou pela primeira vez que o nome dele era 
 {Caio Vinicius} o mesmo nome do meu falecido colega. No ano seguinte procurei na escola por {Caio} e a resposta sempre foi a mesma
 ''Essa Pessoa Nunca Estudou Aqui.''
Autora: Sahmara 

30/05/2017

Madrugada Do Pesadelo Contos De Terror

Madrugada Do Pesadelo


Era noite. O Sol já havia sido substituído pela escuridão da noite. Jorge, um rapaz de seus 25 anos, barba feita, cabelo baixo, alto e esguio estava caminhando pelo interior da rodoviária da pequena Ieginópolis, falando ao celular, com uma mochila presa em seu ombro direito e usando terno e gravata.
- Não, mãe, já falei. Vou chegar aí por volta das 4, 5 horas. – uma pequena pausa – Sim. A audiência acabou só agora a noite. Não tenho culpa. – outra pequena pausa – Não, mãe, o ônibus tem ar-condicionado. – terceira pausa – Tem uma pausa em Bom Jesus do Despacho. Mas o ônibus tem banheiro e estou levando bastante lanche. Até lá tem só Almeida Resende e Virago, depois é umas 2, 3 horas direto só de mato, até Bom Jesus. Depois de Bom Jesus tem mais cidades até a capital. – quarta pausa – Sim, sim. Por causa da floresta. Por isso não tem cidades entre Virago e Bom Jesus. – o rapaz chega ao lado de um ônibus intermunicipal de dois andares, onde se encontravam duas pessoas igualmente uniformizadas. – Cheguei no ônibus, mãe. Vou desligar. Beijos. Quando chegar na capital, te dou um toque. Boa noite. Beijos.
Jorge desencostou o celular do ouvido, desligou a chamada e o colocou no bolso frontal direito. Após, retirou do interior do paletó uma passagem e o encontrou ao mais baixo dos uniformizados, que a recebeu, conferiu, rasgou ao meio e o devolveu. Por fim, o rapaz adentrou no interior do ônibus, que se encontrava parcialmente vazio, procurou sua poltrona e assentou no banco mais próximo da janela. Na outra, deixou seu paletó e a mochila. Por fim, retirou a gravata, desabatoou os dois primeiros botões e a guardou dentro da mochila, junto do paletó.
- Finalmente... livre. – disse, para si mesmo. Colocou o cinto e se acomodou no local.
Dois ou três minutos depois, os dois uniformizados adentraram no interior do ônibus. Um deles foi para o volante, enquanto o outro ficou ao seu lado, de pé.
- Está vazio hoje. – disse o de pé. De fato, tinham apenas 9 passageiros, considerando Jorge. Alguns segundos depois, o ônibus partiu do interior da rodoviária.
A viagem era demorada. Era pouco mais de 9 horas da noite e Jorge só chegaria à capital por volta de 4 ou 5 horas da manhã. Conforme os dizeres do rapaz com sua mãe, primeiramente a estrada cortaria várias cidades vizinhas à cidade de Jorge, até chegar em Virago, onde atravessaria uma densa floresta que divide a cidade de Bom Jesus do Despacho, distante 2 horas e meia de carro de Virago. Lá é perto da Região Metropolitana da capital, sendo que a cidade mais próxima da região metropolitana ficava a 25 minutos de Bom Jesus.
Sabendo da distância e da demora da viagem, Jorge se arrumou no banco, tentando ficar o mais confortável possível. Após, ligou a luz individual interna do veículo e postou um livro entreaberto à sua frente, enquanto colocava fones de ouvido.
O ônibus já se encontrava saindo do interior da cidade, quando o cobrador adentrou no corredor solicitando as passagens dos nove passageiros. Jorge rapidamente percebeu que o ônibus se encontrava realmente bem vazio – à frente, sentados logo atrás do motorista, havia um casal de idosos; ao seu lado, em um dos bancos à direita, um homem de seus quarenta e poucos anos; mais para o meio do ônibus, outro casal, agora de jovens, um rapaz solitário, uma mulher de certa idade carregada de sacolas, que vira e mexe caíam por causa do sacolejo do ônibus, Jorge e uma bela morena de pernas estonteantes sentada na outra janela da mesma fileira de bancos que o rapaz.
Tão logo percebeu a existência da bela moça, Jorge ficou encantado. A moça tinha seus vinte e poucos anos, pele bronzeada pelo Sol, uma belíssima cor de chocolate e um belíssimo cabelo preto, que ultrapassava a omoplata da jovem. Jorge se pegou olhando para a moça durante longos segundos, até que a mesma percebeu e este desviou o olhar. Ele não reparou, mas ela deixou escapar um sorrisinho.
Neste instante, apareceu no corredor entre os bancos o cobrador, solicitando a Jorge – e depois a moça – a passagem. Após a entrega por parte de ambos, o cobrador desobstruiu o corredor, voltando à frente do veículo. Neste instante, Jorge percebeu que a moça se encontrava sentada no lado do corredor.
- Olá. – ela disse, com um belo sorriso no rosto. A atitude da garota surpreendeu Jorge, que não esperava. Seu coração disparou no peito.
- Oi. – disse, timidamente, embora não fosse.
- Está lendo que livro?
- "Asylum" – disse, mostrando a capa do referido livro à moça
- Não conheço. Parece de terror.
- É sim. É uma história de um rapaz que vai estudar em uma escola situada em um antigo sanatório desativado.
- Credo. Obrigada. Não gosto muito de histórias de terror. E você tem coragem de ler uma história dessas viajando a noite no meio da estrada? – disse a moça, rindo ao final
Jorge riu.
- Nessa hora, já pretendo estar no décimo sono.
A moça retribuiu o riso. Jorge mexeu no interior de sua mochila e retirou de lá um saco de papel dentro de uma sacola plástica. Abriu-a e ofereceu à moça.
- Aceita.
- O que é?
- Pão de queijo.
- Por que é que mineiro só oferece pão de queijo? – perguntou a garota, rindo, enquanto retirava do interior do saco um enorme pão de queijo
Jorge riu.
- E tem coisa mais gostosa que pão de queijo? Tá pra nascer. – disse o rapaz, descendo transparecer seu sotaque típico – E você é daonde?
- Niterói.
- Nossa, e o que está fazendo tão longe da sua terra?
- Estava visitando alguns parentes meus que mora aqui em São Carlos. Agora estou indo para a capital pegar o voo para o Rio de Janeiro.
- Entendi.
- E você? O que está fazendo todo engomadinho, de terno e gravata?
Ele riu. Olhou para si mesmo e percebeu sua roupa toda desengonçada.
- Estava em uma audiência aqui em São Carlos.
- Audiência?! – ela riu. – Não é muito novo para ser advogado, não?
Foi a vez de Jorge rir.
- Já me falaram isso. Mas não sou tão novo quanto pareço não.
Ela riu. O assunto, em seguida, encerrou-se por completo.
Passaram-se algumas horas. Era madrugada e todos já estavam dormindo, incluindo Jorge. As luzes do ônibus estavam apagadas e somente o motorista e o cobrador se encontravam acordados, conversando na cabine frontal do ônibus. O veículo estava em alta velocidade, haja vista estar em uma gigantesca reta e a estrada estava completamente vazia. Alguns segundos depois, o ônibus diminui a velocidade para entrar em uma aberta curva para a direita. Repentinamente, para surpresa da dupla de profissionais, eis que surgem duas capivaras na pista, bem na curva, atravessando o pasto em direção ao barranco à esquerda. O motorista, surpreso, freia o ônibus com toda força, acordando – e assustando – os passageiros e o vira, de inopino, à esquerda. Este acaba descendo o barranco, capotando ao bater em uma árvore.
Os passageiros começam a ficar assustados e a gritar. Jorge segurou sua mochila e a grudou consigo, no peito. Em seguida, colocou os pés sobre o banco e colocou a cabeça no meio de suas pernas. Percebeu, em seguida, que a moça fez o mesmo.
O ônibus continuou capotando durante alguns segundos, inclusive batendo nas beiradas contra duas árvores, até parar no final do barranco, deitado. O interior da mente de Jorge continuava chacoalhando e parecia que o mundo continuava rodando. Entretanto, sabia que não podia continuar por muito tempo no interior do veículo. Retirou o cinto e se levantou, sobre o que sobrou das janelas do lado direito. Pegou sua mochila e foi ajudar a moça a retirar o cinto, que estava preso. Após, ajudou-a a se levantar e caminharam pelo local. Alguns dos passageiros já se encontravam evadindo do local.
- Parece que foi um estrago feio. – disse a moça, sendo auxiliada por Jorge
- Verdade, moça. – respondeu Jorge, preocupado, olhando para onde pisava, já que visualizou marcas de sangue no chão
- Pode me chamar de Rebeca.
- Rebeca. Não vou esquecer.
- E qual o nome do rapaz que segura a minha mão?
Neste instante, Jorge percebeu o quão quente era a mão de Rebeca e enrubesceu.
- J...Jorge.
Rebeca ri.
- Vejo que o tal rapaz é um pouco tímido.
Foi a gota d´água para Jorge ficar vermelho igual um tomate, tamanha a vergonha. O que mais lhe estranhava era que não era tímido – era até bem extrovertido, e não tinha vergonha alguma com mulheres.
Jorge adentrou no interior da cabine frontal do ônibus, onde se sobressaltou. Ao perceber o sobressalto do rapaz, Rebeca perguntou:
- O que foi?
- Acho melhor não olhar pra cá. – disse, apontando com a cabeça para o lado do motorista. E assim o fez. Jorge auxiliou Rebeca a descer do interior do ônibus, sem que esta visse grandes galhos de árvore atravessando o vidro esquerdo do local e fincando no corpo imóvel do motorista em vários pontos de seu corpo.
Todavia, Jorge, de uma forma ou de outra, não evitou que Rebeca visse uma cena horrenda. Do lado de fora, quatro dos demais passageiros se encontravam em choque, rodeados do que sobrou dos corpos do casal de idosos – que se encontravam esmigalhados e espatifados barranco abaixo - e do cobrador – que aparentemente voou pelo vidro da janela e foi descendo barranco abaixo batendo nas árvores até quebrar boa parte do seu corpo. Provavelmente não estavam usando cinto de segurança, o que lhe fizeram ser arremessados para fora do veículo. O homem que se encontrava ao lado do casal de idosos não se encontrava no local, nem ele nem o seu corpo.
Tão logo viu a cena, Rebeca tampou os olhos, horrorizada. Jorge, em seguida, lhe amparou.
- E o que faremos daqui em diante? – perguntou o rapaz solitário.
Jorge olhou para cima. Percebeu que o barranco era demasiadamente alto. Em seguida, olhou ao seu redor. Estavam em um local com pouca mata na beirada de um gigantesco rio ao fundo.
- Acredito que esse deva ser o Rio Albuiú. Se seguirmos, devemos dar em Lafon ou Bom Jesus. – disse Jorge
- Acredita que é seguro? – perguntou o outro rapaz
Jorge deu de ombros.
- Parece que não temos outro jeito. Não sei onde estamos exatamente e já faz bastante tempo que saímos de Virago, então acredito que Bom Jesus esteja mais perto. Como é beirada de rio, acredito ser mais seguro que caminhando floresta adentro.
- Então... – disse o rapaz, se levantando – Vamos seguir o rapaz de terno.
- Jorge. Pode me chamar de Jorge. – disse o rapaz.
- Bernardo. – apresentou o rapaz.
- Rebeca.
- Maria Rita, mas podem me chamar de Rita. – disse a senhora das sacolas, que se encontrava com todas consigo
- Maique. – disse o jovem do casal
- Maísa.
- Maique e Maísa. É casal ou dupla sertaneja? – brincou Bernardo, fazendo os demais, com exceção do casal, rirem.
- Bom, então já que a chamada foi feita, vamos embora, que não quero virar banquete de tubarão.
- Ai, meu Deus. – disse Rita, amedrontada. – Tem tubarão na região?
Todos se viraram incrédulos para ela.
O grupo caminhava pelo interior da floresta que beirava o rio. Aos poucos, o rio foi se distanciando do barranco que delimitava a estrada, além de ir tomando as suas margens, obrigando o sexteto a adentrar no interior da floresta. Rita não gostou muito da situação, pois estava completamente amedrontada. Os demais queriam apenas chegar aos seus destinos o quanto antes.
Bernardo, Maique, Jorge e Rebeca utilizavam seus aparelhos celulares como lanternas, para iluminarem seus caminhos. Tentaram por diversas vezes ligarem para parentes, amigos, para a companhia de ônibus e, claro, para o serviço de emergência, mas não estavam funcionando. Duas das quatro operadoras se encontravam inoperantes desde o cair da tarde, e as duas demais não haviam sinal na região, por causa da estrada.
- Será que não é perigoso adentrarmos floresta adentro? – perguntou Maique, visivelmente amedrontado. Maisa, sua namorada, se encontrava na mesma situação
- É sim, mas é só não distanciarmos o bastante do rio. – disse Jorge.
- Verdade. – disse Bernardo – Vamos prestando atenção no barulho do rio.
- Não era melhor termos ficado no local do acidente, esperando o resgate? Com certeza, sentirão nossa falta em Bom Jesus e mandarão uma equipe de resgate para nos salvar. – perguntou Rita
- Não sabemos quanto tempo isso demorará. Você sabe como o serviço da companhia é precário. Já aconteceu de ficar mais de cinco, seis horas parados na estrada quando um ônibus quebrou, mesmo próximo de uma cidade, porque a garagem da companhia é só na capital. Tivemos que esperar o veículo da companhia chegar para nos buscarmos. – explicou Jorge. – Certamente ficaríamos lá até metade de amanhã sem qualquer resposta por parte da companhia. Até para chamar a Polícia, é devagar quase parando.
Rita engoliu em seco. Continuou caminhando com suas intermináveis sacolas, mesmo a contragosto.
O grupo continuou caminhando floresta adentro, sem grandes perigos - somente uma aranha que desceu no ombro de Maisa e seus gritos quase fizeram os demais enfartarem. Bernardo e Maique auxiliaram a garota a retirar a aranha de cima de si mesma e verificaram que a mesma não a picou.
- Mocinha. Você quase me mata do coração. – disse Rita, ofegante, com a mão no coração – Eu sou diabética e hipertensa. Não posso levar esse tipo de susto.
- O mais surpreendente é saber que ela fala... achei que ela fosse muda... – cochichou Jorge, consigo mesmo, ainda recuperando do susto. Rebeca estava ao seu lado, ouviu e riu timidamente, sem chamar a atenção dos demais.
O sexteto continuou sua caminhada. Após alguns minutos, avistaram uma pequena cabana próxima ao rio e fora da floresta.
- Olha, que bom. Uma cabana para nós descansarmos. – disse Rita, efusiva
- Calma. Não sabemos se há algum morador. – disse Bernardo, mais cauteloso
O sexteto caminhou cautelosamente em direção à pequena cabana. Ao chegar defronte à cabana, Jorge e Rebeca olharam ao redor, enquanto Bernardo e Maique ficaram na porta. Bateram no local e chamaram por algum morador. Ninguém respondeu.
Bernardo girou a maçaneta da porta principal e a mesma abriu, revelando uma pequena residência com uma pequena sala mobiliada frontal. Havia sujeiras no local resultantes de lama no carpete e nos sofás, além de comida espalhada, mas não possuía teias de aranha ou poeira – embora o número de insetos voadores chegava a incomodar. Bernardo testa o interruptor do local, mas a luz da cabana não ligou. Em seguida, começou a adentrar pelo interior da cabana. Jorge lhe interceptou, perguntando:
- Tem certeza? Deve ter algum morador por aqui.
- Esperamos que não. – respondeu o outro
Bernardo e Jorge adentraram no interior da sala da pequena cabana, jogando os feixes de luz das lanternas de seus celulares em todos os cantos possíveis. Atrás deles, vieram os demais, cautelosos. À direita da sala, havia uma porta que dava a um pequeno e fedido banheiro. Já ao fundo, havia uma porta.
- Vocês têm certeza que realmente devíamos invadir a casa alheia? – perguntou Rita, com medo
- Pode ser que o morador nos auxilie a sair dessa floresta, nos dê alguma dica. Há produtos industrializados aqui dentro, então significa que ele vai a algum local adquiri-los. E neste local poderíamos pedir ajuda para chegar à capital. – explicou Jorge.
- Além do mais, se explicarmos nossa situação, não acredito que ele ficará com raiva de nós. – continuou Bernardo
Ao ultrapassarem a porta, o grupo visualizou um pequeno corredor à esquerda, que desembocava em uma porta fechada. À direita deste corredor, um par de porta.
- Que cheiro ruim é esse?! – perguntou Rebeca, enojada.
Jorge retira com a mão algumas moscas que estavam rodeando seu rosto.
- Realmente parece ter um cheiro ruim. E o número de moscas está cada vez maior.
Bernardo abriu a primeira porta. Sobressaltou e fechou, com toda força. O barulho ecoou pelo local. A ação do rapaz assustou os demais.
- O que aconteceu? – perguntou Jorge, percebendo o rosto de assustado de Bernardo
- Descobri a origem do cheiro forte. – disse o rapaz
- E do que se trata? – perguntou Jorge, virando-se para a porta. Tentou girar a maçaneta, mas percebeu que Bernardo ainda a segurava. Virou-se para ele: - Pode soltar.
- Tem certeza?
- Sim.
- OK. Não me responsabilizo. – disse, afastando-se da porta, dando lugar a Maique e Maisa.
Jorge abriu a porta. Um forte cheiro de decomposição adentrou no local. Todos rapidamente passaram mal. Maisa e Rita saíram correndo em direção à saída, com forte vontade de vomitar. Jorge percebeu, naquele instante, que havia um corpo sobre a cama, de bruços, em estado de decomposição. Estava de roupas e a luminosidade só permitia visualizar da virilha para baixo.
O rapaz rapidamente fechou a porta, cortando o cheiro.
- Eu te falei. – disse Bernardo
- Quem será ele? – perguntou Maique
- Provavelmente, o dono da cabana. Por isso que ela estava vazia. – disse Jorge
- E do que será que ele morreu? – perguntou Rebeca
- Não sei. Talvez infarte fulminante.
- Mas parece que a comida na sala é mais recente que o corpo. – disse Maique
Jorge ergueu a sobrancelha.
Apesar da advertência de Maique, Rita, Maisa e Bernardo solicitaram descansar durante algum tempo, já que estavam bastante exaustos. Rita já foi logo ocupando o quarto ao lado do cadáver, encostando a porta e dormindo pesadamente no local – ainda que os demais tenham pedido para ninguém dormir, já que não queriam esperar até o raiar do dia para continuar procurando por ajuda. Maisa e Bernardo descansavam no sofá da sala, a primeira deitada sobre a coxa do namorado. Jorge e Rebeca dividiam uma poltrona de dois lugares e estavam apertados no local. Ambos e Maique estavam com os celulares ligados com lanterna próximos, iluminando o local.
- Então... está com sono? – perguntou Jorge
- Até que não. Tenho costume de dormir pouco. – disse Rebeca – E você?
Jorge esticou o corpo.
- Com preguiça.
Rebeca ri.
- Você é engraçado. – disse – E você me disse que estava indo pra capital fazer uma audiência?
- Na realidade, estava voltando de uma audiência em São Carlos. Eu moro na capital, na realidade, então estava voltando pra casa.
- Ah, sim. Isso mesmo. – Você tinha comentado mesmo no ônibus. – disse a garota – E você mora com seus pais lá?
- Só minha mãe na realidade.
- Sem irmãos?
- Isso.
- Nossa, se sua mãe souber, então, que você está no meio do mato perdido, tentando achar o rumo de casa...
- Ela infarta. – ele completou. E ambos riram.
- E você, mora com seus pais na capital?
- Sim, sim. Ainda não consegui largar deles.
Jorge ri.
- Você faz o que por lá?
- Tenho uma loja de roupas na Santo Ângelo.
- Santo Ângelo? – perguntou Jorge, surpreso – Olha. Eu moro em Santa Clara. Praticamente do lado.
- Verdade. Qualquer dia, me visita lá.
- Pode deixar.
Rebeca, em seguida, apoia a cabeça sobre o ombro de Jorge.
- Achei que estava sem sono. – brincou
Rebeca ri, sem nada responder. Em seguida, respira fundo e diz:
- Seu cheiro é bom. – e cheira o pescoço de Jorge, fazendo subir uma boa emoção espinha acima. Em seguida, ela dá uma leve mordida no local, fazendo novamente subir uma boa emoção espinha acima e obrigando Jorge a rapidamente cruzar as pernas para não passar vergonha. Ela cochicha no ouvido do rapaz: - Você sabia que fico doida de homens bonitos de terno? – Jorge se enrubesce em seguida, ficando da cor de um tomate
Enquanto isso, Maique diz para Maisa que irá ao banheiro e levanta do sofá, trocando o colo por uma almofada. Utiliza o banheiro e, na volta, visualiza um jornal, novo, sobre a mesa. Joga o feixe de luz do celular sobre o local, iluminando o suficiente para ler a manchete principal, que era:
"NICK 'VIRAGO' VOLTA A AMEDRONTAR POPULAÇÃO"
- Nick Virago?! – se perguntou Maique, para si mesmo. Tentou se lembrar de algo: "Esse nome não é estranho", pensou. Retirou o jornal de cima da mesa e passou a ler a reportagem, que dizia:
"Nick 'Virago' volta a amedrontar população de pequena cidade do interior do Estado. Desde o começo da semana, 7 pessoas já desapareceram em circunstâncias misteriosas em Virago e região." – "eu lembro quando falaram desses desaparecimentos", pensou Maique – "A Polícia Militar da região acredita ser um novo ataque sistemático de Nick 'Virago', um maníaco obcecado por sangue que amedrontou a população da cidade no final da década de 80 e começo da década de 90, quando finalmente foi preso em uma pequena cabana perto do Rio Albuiú. Atualmente, Nick 'Virago' foi transferido para o regime semiaberto após cumprir 23 anos dos 62 anos e 6 meses de prisão que recebeu em seu julgamento em 1997, já estando preso desde que foi capturado em 1993.
[...]"
- Cabana... perto do Rio Albuiú?! – se perguntou, Maique. O restante da reportagem, Maique apenas leu, sem ter dado nenhuma atenção. Sua cabeça ainda estava digerindo essa frase. Repentinamente, lembra-se de algo e ergue a sobrancelha. Lembrou-se de Jorge falando que o grupo se encontrava às margens do Rio Albuíu. – Meu Deus.
Repentinamente, eis que um grito ecoa por todos os cantos, fazendo o grupo se levantar em um só pulo.
- Ai, meu Deus. Rita. – gritou Jorge. Este e os demais saíram correndo tropeçando. Atravessaram a cabana a toda velocidade e Jorge abriu a porta a toda velocidade. Neste instante, ainda com a mão sobre a maçaneta, estagnou. Os demais chegaram atrás dele e igualmente estagnaram.
Rita se encontrava inerte sobre a cama, com as pernas e braços paradas próximos ao corpo. Sua cabeça estava afundada sobre a cama, se transformando em um pequeno pedaço de massa encefálica. O tampo superior estava destruído e de lá vazava grandes quantidades de sangue e massa encefálica, que inundavam a colcha. Ao lado de Rita, em pé, havia um homem robusto, de seus 1,80 metros de altura, com uma roupa preta de palhaço, um malicioso sorriso desenhado no rosto pintado, uma peruca colorida no cabelo e uma marreta enorme suja de sangue em mãos.
- Olá, amiguinhos. – disse o palhaço, rindo
- Puta que pariu. Correm. – gritou Bernardo, virando-se de costas e empurrando todo mundo que estava pela frente. Os demais saem correndo, em completo desespero. Jorge ainda ficou paralisado durante alguns segundos, mas, ao perceber o assassino vindo em sua direção, fecha a porta correndo e se distancia do local. Atravessa o local logo atrás de todo mundo, pula algo que estava caído no chão e sai correndo. Ao passar pela sala, ainda escuta alguém pedindo socorro, mas não importa. Encontra-se com o restante fugindo da residência e junta-se a eles.
Ele não havia percebido, mas havia saltado sobre Maisa, que havia sido derrubada sem querer por Bernardo e abandonado pelos demais, que, devido à escuridão, não conseguiram enxergar sua ausência. Maisa ainda tentava se levantar no chão da cabana, quando o assassino ainda o encontrou. Este a levantou por trás, segurando-a pela roupa e pelo cabelo.
- Ai, meu Deus. Socorro. Me solta. Me solta. – gritou a garota, enquanto se debatia. O assassino saiu do local com ela em mãos e adentrou no corredor, atravessando-o e adentrando a uma cozinha aparentemente vazia. Havia apenas uma pequena pia, um fogão, uma geladeira e alguns ganchos dependurados na parede. Lá tinha dois corpos já em estado avançado de decomposição, dependurados pelo queixo.
- Não, não, não. – começou a debater com mais veemência Maisa. Mas não teve jeito. O assassino a colocou no gancho, que enfiou no queixo e saiu no interior da boca. A garota ainda tentou se soltar enquanto a sua vida ia se esvaindo pouco a pouco de seu corpo.
Maique, Jorge, Rebeca e Bernardo já se encontravam distantes o suficiente da cabana, floresta adentro.
- Ai, meu Deus. Minha bolsa. Eu deixei minha bolsa dentro da cabana. – disse Rebeca, assustada
- Pelo menos estamos com nossos celulares. – disse Jorge, ofegante – Eu também acabei esquecendo da minha mochila.
- O que aconteceu lá? Quem era aquele maluco? – perguntou Bernardo
- Coitada da Rita. – disse Rebeca
- Eu vi um jornal escrito "Nick 'Virago' volta a amedrontar a população". – disse Maique – Na cabana. – continuou – De um serial-killer que está sendo acusado de ser responsável por uns desaparecimentos em Virago.
- Ai, meu Deus. – disse Rebeca. – Quer dizer que tem um serial-killer na região? – começou a chorar
- Gente, cadê a Maisa? – perguntou Maique, preocupado. Os demais percebem a fala do rapaz e olham na região. Realmente Maisa não se encontrava próxima. – Ai, meu Deus. Maisa! – começou a gritar
Jorge o interrompeu.
- Fala baixo, que o serial-killer pode estar por perto. A Maisa com certeza fugiu. Eu não vi ninguém dentro da cabana e fui o último a sair. E ela está sozinha. Então gritar pode alertar o serial-killer que ela está sozinha ou que nós estamos aqui. Vamos. Precisamos continuar nossa caminhada pra encontrarmos com a Maisa na cidade mais próxima.
O grupo começou a correr para o interior da floresta. A corrida atravessava a fixação da lanterna do celular – única fonte de luz -, o que acabava por fazer, vez ou outra, fazer com que o grupo não enxergava o caminho, se atrapalhasse com arbustos e galhos no chão, não visualizassem um galho no alto, dentre outros. Além disso, eles começaram a perceber um barulho de mato logo atrás deles, o que indicava algum outro ser próximo do local. Contudo, eles escutam uma risada ecoando por todo o local.
- Cadê vocês? – perguntou o dono da risada, com voz idêntica a do serial-killer.
- Vamos. Por aqui. – disse Jorge, abaixando-se para passar debaixo de um galho, com a entrada praticamente tampada pelo mato. Segurou a mão de Rebeca e a levou consigo. Bernardo percebeu a ação do casal e logo adentrou pelo mesmo local. Maique estava olhando para trás, a fim de encontrar a posição do palhaço e acabou não vendo onde o casal e Bernardo adentraram e acabou passando adiante.
Deu alguns passos e percebeu não se encontrar mais próximo do trio. Olhou ao seu redor e começou a entrar em desespero:
- Jorge. Rebeca. Bernardo. Cadê vocês?
Enquanto isso, Jorge, Rebeca e Bernardo se distanciavam do local onde outrora se encontravam ainda abaixados, haja vista a significativa quantidade de galhos à sua cabeça. Andaram assim alguns segundos, até o instante em que puderam levantar. Neste instante, perceberam que Maique não se encontravam com eles.
- Maique. Maique. – chamava Jorge, tentando não chamar a atenção de pessoas indesejadas.
Maique continuava caminhando pelo interior da floresta, enquanto procuravam pelos demais. De repente, sem que percebesse, alguém apareceu às suas costas. Escutou um barulho de algo sendo pisoteado a alguns centímetros atrás de si e virou-se de costas, completamente amedrontado. Percebeu ser Nick 'Virago' e sobressaltou-se.
- Achei ummmm! – disse o palhaço assassino, em tom de deboche. O rapaz tenta se distanciar, porém o serial-killer foi mais rápido. Em poucos segundos, segurou Maique pela gola e o jogou no chão. O rapaz bateu com os joelhos no solo e sentiu uma pungente dor no local. Ele grita, tamanha a dor. Após, grita por clemência; porém, não obteve êxito. Nick 'Virago' rapidamente levanta um facão e o abaixa em direção ao pescoço de Maique, arrancando a cabeça do rapaz e fazendo espirrar sangue, antes de cabeça e corpo do rapaz caírem no solo, sem vida.
Jorge, Rebeca e Bernardo caminhavam pelo local à procura de Maique quando escutam seu grito de clemência, segundo antes de um estrondo de algo bem pesado cair no solo.
- Vamos, vamos, vamos. – disse Jorge
- Puta que pariu. Ele pegou o Maique. – disse Bernardo, irritado
Enquanto isso, Nick 'Virago' estava defronte ao corpo de Maique limpando o facão na própria roupa, quando ouviu os gritos e passos apressados do trio remanescente. Olhou em direção aos barulhos e sorriu.
- Achei vocêêêês!
Alguns minutos depois, o grupo vislumbra a rodovia passando ao longe, onde também havia uma ponte que atravessava o rio Albuiú e algumas residências na beirada da rodovia. Naquele local, a floresta era menos densa e havia um descampado entre o local onde se encontravam e a rodovia.
- Vamos. Precisamos nos esconder. – disse Jorge, para os demais. Continuaram correndo a toda velocidade até chegarem perto das residências. Quando já se encontravam próximos, escutam Nick 'Virago' saindo do interior da floresta com sua roupa parcialmente suja de sangue e cantarolando, feliz:
- Estoou vendo vocêêêêês!
- Correm, correm! – gritou Jorge, acelerando os passos. Rebeca e Bernardo os copiaram. Esconderam-se atrás da residência mais próxima e saíram em disparada casa a casa esmurrando as portas e chamando por socorro.
As portas estavam trancadas, o que obrigava o trio a esmurrarem a porta e a gritarem por socorro. Sabiam que isso poderia atrair a atenção do serial-killer, mas sabiam ao mesmo tempo que o mesmo estava ao seu encalço e já o tinham visto.
- Merda. Merda. Merda. – dizia Bernardo, desesperado, batendo na porta e nas janelas de uma residência. – Ninguém atende.
- OI! – gritou Jorge, entre uma residência e outra, afastado de Bernardo. – Ajudem-nos. – disse. Rebeca estava andando logo atrás de Jorge, esmurrando as janelas e porta das residências.
- Que merda. Que merda. – disse Bernardo, já bastante afastado de Jorge e Rebeca, em outra das residências. – Cadê essas pessoas?
Jorge parou frontalmente a uma pequena residência qualquer e começou a jogar o próprio corpo contra a porta, tentando abri-la; entretanto, não conseguiu êxito. Sentiu uma dor pungente subindo pelo ombro esquerdo.
- Nos filmes era mais fácil.
- Deixa eu te ajudar. – disse Rebeca. Postou o corpo para trás, esticou a perna, esperou alguns segundos e desferiu um violento chute na maçaneta da porta. Não abriu por completo, mas pôde ouvir o trinco cair do outro lado. – Sua vez.
- Obrigado. – disse Jorge. Avançou sobre a porta e, com o ombro, a abriu, caindo no interior da residência.
- Está tudo bem? – perguntou Rebeca, auxiliando Jorge a se levantar.
- Sim, sim. Ve... – dizia Jorge, já de pé, sendo interrompido por um estrondo.
- Cadê essas pessoas? – se perguntou, em desespero, enquanto tentava abrir a porta de uma das residências.
- Buuu! – disse alguém, com voz conhecida, no cangote de Bernardo. Este se arrepiou ao invés aquela voz a apenas alguns centímetros de seu ouvido. Seu corpo instantaneamente estremeceu e travou. Tentando vencer o medo que controlava o seu medo, tentou virar para trás; todavia, Nick 'Virago' foi mais rápido e lhe desferiu um violento soco em sua nuca, jogando-o com toda força de costas na parede ao lado da porta. Com a batida, machucou violentamente o nariz, sangrando.
O serial-killer segurou a gola traseira da camisa de Bernardo, prensando-o contra a parede. Este olhou para trás e gritou por Jorge e Rebeca, mas estes estavam ocupados abrindo uma porta do outro lado, e não escutaram seus chamados por causa dos barulhos que emanavam.
- M.... Merd... – disse o rapaz.
Nick desfere um potente soco na nuca de Bernardo, fazendo a cabeça do rapaz ser prensada contra a parede. Sentiu uma potente dor vertendo da nuca e começou a perder o equilíbrio. O serial-killer desfere mais dois potentes socos, causando um imenso estrondo, que ecoa pelo local. Bernardo começa a perder a consciência e começa a cair em direção ao chão.
- Opa... cai não. – disse o psicopata. Ergueu o rapaz, impossibilitando-o de cair no solo. Com a outra mão, sacou o mesmo facão que matou Maique da cintura e fincou na nuca de Bernardo, saindo do outro lado. O rapaz solta uns balbucios e depois perde a consciência. Nick retira o facão e o guarda.
- Sim, sim. Ve... – dizia Jorge, já de pé, sendo interrompido por um estrondo.
Neste instante, ele e Rebeca visualizam Nick 'Virago' segurando Bernardo contra a parede de uma residência distante da deles.
- Puta merda. O maníaco pegou o Bernardo. – disse Jorge.
- E o que faremos agora? – perguntou Rebeca, amedrontada
- Vamos. Vamos nos esconder. – disse o rapaz. Puxou Rebeca para o interior da residência, desembocando em uma pequena sala mobiliada.
- E a porta? – perguntou Rebeca, sendo puxada por Jorge para o interior da casa.
Jorge largou Rebeca e, com a ajuda desta, colocou a porta no local, pouco deslocada por causa da ausência do trinco. Em seguida, ambos correram para o interior da residência. Sabiam que, mais cedo ou mais tarde, Nick os procuraria dentro da casa. Era necessário um plano.
O rapaz rapidamente ligou a lanterna de seu celular – e evitou que Rebeca fizesse o mesmo, para ter a menor quantidade de luz no interior do local – e conheceu o local. A residência era parecida com a cabana de Nick – dois quartos, sala, cozinha e banheiro.
- Cadê todo mundo?
- Provavelmente devem ter sido vítimas do Nick. Aqui é muito perto da cabana dele. – explicou, enquanto adentrou em direção a um dos quartos, sendo seguida por Rebeca.
- Onde esconderemos? – perguntou Rebeca, o mais baixo possível
Jorge deu de ombros. Olhou ao redor e correu em direção à janela. Abriu-a, para surpresa de Rebeca. Em seguida, voltou, em direção à cama.
- Venha. – ele disse
- Por que a janela aberta?
- Ele vai imaginar que fugimos por ela. Isso o despistará. Só precisamos esconder até lá. – explicou o rapaz, ao lado da cama. Em seguida, levantou o colchão da cama e deitou sobre o estrado. Rebeca o copiou. Em seguida, o rapaz desligou a luz do celular, inundando a todos em escuridão parcial – não total, por causa da janela aberta.
- Tem certeza que isso dará certo?
- Essa cama é especial. Tem um grande espaço entre o estrado e o colchão. Se não nos mexermos, o colchão não se levanta e se não colocarmos muito peso, o estrado não quebra.
- Você fala como se isso fosse fácil. – disse Rebeca, tentando se erguer parada no local.
- Se precisar, eu te ajudo. – disse Jorge, sereno, segurando a mão de Rebeca. Ela olhou para o rapaz e o encarou a poucos centímetros de distância de seu rosto. Em seguida, sem nada falar, deu um beijo nos lábios do rapaz. Este se pegou até fechando o olho e apreciando o momento... até que a porta da frente da residência cai em um só baque no chão e o ambiente é invadido pela voz medonha de Nick 'Virago'.
- Cadêêêê vocês?! – perguntou o palhaço, em tom assustador
Jorge e Rebeca estremeceram no mesmo instante e congelaram. Nick estava lá! O casal escutou os passos do serial-killer na madeira invadirem o silêncio absoluto. Nick andava calmamente pelo local e vasculhou por toda a casa.
- Eu sei que vocês entraram aqui. Não precisam se esconder.
O silêncio continuou reinando no ambiente. Somente os passos do serial-killer pela residência eram escutados. Um passo atrás do outro... Nick abre uma porta entreaberta, do quarto vizinho. Adentrou no local e foi caminhando pelo quarto. Repentinamente, Rebeca e Jorge escutam o barulho de uma porta sendo aberta.
- Ele está vasculhando! – disse Rebeca, desesperada.
- Shhhh! – disse Jorge, em igual desespero. – Fala baixo. – disse, quase murmurando.
- Barulho. – disse Nick – De onde veio esse barulho? – perguntou, para si mesmo. Caminhou em direção à saída do quarto e voltou para a sala. Virou em direção ao outro quarto e abriu a porta. Neste momento, Jorge e Rebeca congelaram por completo. Não podiam fazer um mínimo barulho qualquer, pois o serial-killer estava a apenas alguns centímetros de distância!
- Ora, uma janela aberta. Será que eles fugiram? – se perguntou novamente. – Barulho... – voltou a dizer – Barulho, cadê você?
O serial-killer adentra no interior do quarto, caminhando pé ante pé, vagarosamente.
- Deixa eu mostrar meu novo brinquedo. – disse o palhaço. Nick passa ao lado da cama. Jorge e Rebeca congelam por completo e engolem em seco. A testa do rapaz era suor puro e descia rosto abaixo. Desde o começo da caçada, sentia muito calor, por causa das vestimentas – ainda estava de social - e da correria. Agora, por causa da situação e da tensão, era natural estar sentindo mais calor que antes.
O serial-killer caminha pelo interior do quarto.
- Querem brincar de pique-esconde? Pois bem. Está comigo. Se eu achá-los, tenho o direito de brincar com vocês. – disse, em tom de felicidade, caminhando até o guardarroupa. – Será que estão aqui? – perguntou. Abriu a porta. Havia algumas roupas, mas nada de mais. Fechou. Voltou a caminhar pelo quarto.
Nick caminhou em direção a um pequeno baú próximo da janela. Os corações de Jorge e Rebeca continuavam apertando no interior em seus peitos. Todavia, qualquer respiração fora do compasso poderia chamar a atenção de Nick e ambos deveriam segurar firme a respiração, continuando os corações apertando fortes em seus peitos.
- Cadê vocês? – perguntou o psicopata, abrindo o baú. Decepcionando-se por não ter ninguém por lá, fechou com força. – Cadê vocês? – se perguntou, já visivelmente irritado. Voltou a caminhar pelo local.
Jorge respirou firme quando o palhaço parou ao lado da cama. "Vaza, vaza, vaza, vaza, vaza, vaza...", pensou, continuadamente, rezando para todos os santos. Mas não teve jeito. O palhaço levantou com uma só mão o colchão.
- Achei.
O rapaz e Rebeca tentaram soltar algum balbucio ou resposta, mas o serial-killer foi mais rápido.
- Dizem alô ao meu novo brinquedo. – disse, antes de desferir um poderoso golpe de porrete nas cabeças de Jorge e Rebeca.
O grito de Jorge ecoou aos quatro ventos e acabou por fazer todos no interior do ônibus acordar, sobressaltados. O rapaz suava frio e sua blusa social estava encharcada. O cobrador ligou a luz do corredor, abriu a porta e perguntou:
- Está tudo bem, meu jovem?
Jorge, ainda ofegante e sob olhares reprovadores ou preocupados dos demais passageiros, meneou positivamente com a cabeça.
- Está tudo bem, Jorge?
- Foi só um pesadelo. Eu sonhei que o ônibus... – a frase de Jorge foi interrompida por uma freada brusca do veículo e um grito de xingamento do motorista, que ainda tentou controlar o ônibus, mas este rapidamente saiu da pista e começou a capotar, enquanto descia o barranco.